Educação Financeira: programe-se para investir! - Yan Klovinsk

Educação Financeira: programe-se para investir!

sala de estar

Mais um período de festas termina e o ano novo chega repleto de oportunidades que devem ser aproveitadas, em especial, é hora de se livrar das dívidas realizadas ao longo do ano que se finda. É hora de aprender como gastar seu dinheiro para que sobre um pouco 

todo mês e investir para depois comprar o que deseja.

Educação financeira é um processo em que o indivíduo faz escolhas conscientes sobre como gastar e investir seu dinheiro para que possa elaborar/planejar a melhor forma de lidar com o seu dinheiro com o objetivo de ter sua independência financeira.

A matemática é simples: se você ganha R$ 3.000,00 por mês tem de manter os gastos sobre controle para poder gastar até R$ 3.000,00. Se conseguir manter as despesas abaixo disso, então, poderá poupar ou investir para o futuro.

Entretanto, vejamos como a gente entra fácil no vermelho, eu também já passei por isso, hoje não mais, nunca mais. Amém!

Todo fim de ano é a mesma coisa e, parece que as pessoas não enxergam a repetição anual do ciclo ilusório. No mês de setembro o SPC e SERASA fazem uma convocação nacional para que a população renegocie suas dívidas para limpar o nome. Ocorre que aquele que renegociou a dívida ainda continua endividado, porque transformou a dívida em parcelas, exceto aquele que pagou tudo e à vista.

Com o nome “limpo na praça” deveria ser a hora de sossegar o facho e não fazer novas dívidas. Todavia, chega o dia das crianças e a Black Friday e você resolve fazer umas “comprinhas” e essas novas dívidas se somam com as parcelas da renegociação com o SPC/SERASA. Resumindo, o que estava ruim, ficou ainda pior. Lembre-se que economizar exige sacrifícios para ter dinheiro depois.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio – CNC, em pesquisa realizada no mês de Novembro/2018, duas em cada dez famílias brasileiras têm mais da metade da sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas e a proporção das famílias com dívidas era de 60,3%. Os números são assustadores.

E quem foi que disse que a coisa não pode piorar? Chega dezembro e você resolve fazer um financiamento do carro zero ou da casa própria e, no natal volta a fazer compras ainda que apenas de “lembrancinhas”. Novos endividamentos e você chega em janeiro no vermelho, antes mesmo de chegar as contas do mês. Depois, tem de passar todo o resto do ano tentando sair dele, a maioria das pessoas entra num círculo vicioso e pode levar anos para sair dele se não se educar financeiramente.

Entre janeiro e fevereiro, você liga a TV e a notícia é: tantos % das famílias brasileiras estão endividadas. Ninguém comenta ou dá destaque a isso depois de setembro – que é o período de compras mais forte do ano – dia das Crianças, Black Friday e Natal. Ora, é o ciclo, elas já sabem quando e o que falar.

Nunca tente imitar o governo que gasta mais do que arrecada, porque ele sempre pode abrir créditos suplementares, especiais ou extraordinários para reforçar uma dotação no orçamento do exercício financeiro corrente. Você não pode fazer isso. O governo pode rolar a dívida pública por mais de 30 anos. Mas vale lembrar: rolar a dívida é como rolar uma bola de neve morro abaixo, só aumenta de tamanho. Quando o governo deve ele não quer pagar e quando paga usa precatórios que poderão ser pagos em até 5 anos. O governo gosta de cobrar, mas não gosta de pagar. Vem daí o exemplo dos cidadãos não quererem pagar suas dívidas e, também, o de sonegar ao máximo possível o pagamento de impostos devidos.

Então, o que fazer para evitar essas armadilhas sutis? Você faz compras desnecessárias? Ora, eu compro o que eu quero e pronto. Você poderia responder, e é seu direito. Todavia, na mesma linha de quem “fala o que quer, ouve o que não quer”, quem compra o que quer fica endividado muito fácil e deve assumir o compromisso de pagar.

Seja um consumir consciente, não tenha pensamentos de “manada” ou “Maria vai com as outras”. Não compre o que não precisa só porque os outros estão comprando. Não compre um produto/serviço que não pode pagar só para agradar – fazer bonito, se mostrar – para pessoas que não se importam com você e não vão pagar suas contas. Parece uma afirmação dura, mas não é. Os que têm dinheiro vão rir dessa afirmação, mas os endividados, sabem do que estou falando. O dinheiro é seu, vem do seu suor, e só você sabe da dificuldade em consegui-lo. Portanto, deveria saber como usá-lo para não se endividar. Você é o único responsável quando economiza ou quando gasta. Assim, não poderá culpar ninguém pelo bom ou mal uso do seu dinheiro.

Somos educados para financiar imóveis e carros, mas os experts nos alertam que, quem compra um imóvel através de financiamento paga por três imóveis. O mesmo acontece com quem financia um carro. São poucos aqueles que dão o carro antigo como entrada e pagam o restante à vista e com desconto para comprar o carro zero. Isso é um bom negócio.

Somos convencidos a financiar um imóvel e a comprometer 30% da nossa renda por um período de 30 anos. Mas, não nos convencemos de que seria melhor comprometer os mesmos 30% da renda mensal e investir durante 10 anos para comprar o tão sonhado imóvel à vista por um preço justo. Ao invés disso, optamos por trabalhar uma vida inteira para pagar juros de financiamento, IOF, taxas administrativas e seguro que só enchem os bolsos das construtoras e dos acionistas dos bancos. A questão é: como conseguimos pagar um financiamento de imóvel, mas não conseguimos juntar o dinheiro para pagar um terço do valor que seria financiado?

Faz uma diferença absurda entre comprometer 30% do seu salário com financiamentos e sobrar os mesmos 30% para investir e depois comprar algo de que se precise ou deseje. Vale a dica: financiamento foi criado para quem não sabe ou não quer planejar o futuro. Desse modo, o jogo do endividamento continua...

Sabidamente, poupar não é investir. Aplicar dinheiro na poupança não é um bom negócio, mas para os bancos é ótimo. Grosso modo, eles lhe pagam 0,5% ao mês sobre o total depositado e emprestam o mesmo valor a terceiros com uma taxa de juros que variam de 1,35% (mais que o dobro do que você ganha) até 20,78% ao mês. Perceba que o dinheiro não é do banco, é seu. Quem é que realmente tem lucro nessa simples operação? Agora, se é para gastar seu dinheiro com coisas de que não precisa no momento, que poderiam ser adiadas para um momento futuro com mais sobra de caixa, então, é melhor colocar o dinheiro na poupança, porque funciona como uma reserva de emergência – caso de doença... acidente – sempre disponível para usá-la. Exceto, se o governo resolver confiscar a poupança. Isso já aconteceu com o Presidente Fernando Collor, e não há garantias de que isso nunca vá acontecer. Contudo, há outras modalidades de investimentos que rendem mais que a poupança e são seguros. Falaremos delas mais adiante.

São muitas armadilhas onde qualquer um pode cair. Tudo está montado com o objetivo para você consumir o que pode e o que não pode. A televisão, os jornais, revistas... os comerciais disputam audiência ombro a ombro entre si para que possam vincular propagandas de produtos ou serviços e, no final, você acabe comprando alguma coisa. Ou você acha que a novela ou filme que acompanha na televisão é só entretenimento, que está ali de graça. Não. É consumo, consumo e consumo. Depois, é dívida, dívida e dívida.

Você é quem deve definir suas prioridades e não os outros. Assim, conheça suas reais necessidades e gastos. A regra básica é: fuja das dívidas como o diabo foge da cruz. Se você não consegue ganhar mais do que gasta, então, tem de começar a gastar menos do que ganha. Assim, começa a sobrar algum dinheiro e, você começa a pensar em formas de multiplicar essa sobra. Mas tem de estudar mais e mais, e a internet está repleta de boas matérias – vídeos e textos – sobre finanças pessoais e investimentos. Pesquise!

Vou lhe dar algumas dicas como ponto de partida, depois você segue por conta própria:

1 – Controle seus gastos e veja o que pode ser cortado.


É simples, mas é difícil resistir as tentações que a mídia nos oferece diariamente. Você não pode assumir dívidas constantemente, não deve usar o limite do cheque especial, deve controlar o uso do cartão de crédito, não fazer empréstimos, financiamentos e consignados. Isso você pode fazer. Mantenha suas despesas sob olhar atento, porque ter dívidas é ter preocupações que afetam sua vida em todos os sentidos.

Nem tudo está sob seu controle, pois há os imprevistos como doença, acidente, desemprego, morte ou separação, etc. Por isso a necessidade de se ter uma reserva financeira de emergência, que só é possível quando você mantém as despesas sob controle e consegue poupar um pouco.

Analise sua situação financeira, anote tudo num papel, na ponta do lápis, saiba para onde está indo cada centavo do que ganha. Esse é o ponto de partida para se livrar das dívidas. Você precisa saber, sem ilusões, em que estado financeiro se encontra. Pode doer um pouco, mas depois vem a cura. Faça isso e não tenha medo!

2 – Planeje seus gastos.


Agora que você conhece sua situação financeira, é hora de começar a planejar seus gastos. Controle seu cartão de crédito, sempre pague o valor total da fatura e no vencimento, nunca pague o valor mínimo, pois isso vira uma bola de neve. O mesmo ocorre com o limite do cheque especial. Ambos são os serviços mais caros e os principais vilões do endividamento, enfim, pare de pagar juros aos outros, por amor ao seu bolso, seu tempo de trabalho e a sua família.

Corte tudo que for supérfluo do seu orçamento e mantenha o estritamente necessário. Você pode estar se perguntando: Ora, desse jeito eu não vou viver. Bom, quem tem dívidas tem muitas preocupações, logo sobrevive. Depois que sair do vermelho você começa a viver de verdade. Defina seus objetivos de curto, médio e logo prazos. Da mesma forma, escreva seu planejamento anote tudo.

Mudar de um comportamento destrutivo (endividar-se) para um comportamento benéfico (independência financeira) é uma das coisas mais difíceis de se fazer, porque toda mudança de comportamento é muito dolorosa, mas só no começo. É um fator puramente psicológico, depende só de vontade. É como aprender a dirigir um carro, um sufoco no começo, depois você nem pensa no que está fazendo, tudo é automático.

3 – Fortalecendo o comportamento econômico


Você continuará comprando, consumindo, o que precisa ou que talvez pense que precisa, é lógico. Todavia, pesquise sempre pelo menor preço da praça e depois peça desconto. Não caia na tentação de comprar na primeira loja que encontrar. Faça disso um hábito, não é feio, é inteligente. Por que os preços dos produtos ou serviços no Brasil são caros? Por que ter uma TV a cabo que você não tem tempo para assistir e ainda paga R$ 228,00/mês que dá um total de R$ 2.736,00/ano? Tem muita gente que banca essa conta e nem usa os serviços.

A maioria da população chega as lojas e compra o que deseja. Os comerciantes fazem a festa. Se você achar o produto caro e não comprar e outras pessoas fizerem o mesmo, é péssimo para o comerciante que se vê obrigado a diminuir a margem de lucro e baixar os preços, a indústria também. Por que será que sempre depois de uma data festiva (páscoa, dia das mães, dos namorados, das crianças... natal) os comerciantes conseguem baixar os preços em 50%, 60% até 70%? Por que não comprar nesse período de descontos? Porque ainda temos a mentalidade de manada. Ora, se alguém faz o que todo mundo faz no mesmo dia, não faz grande coisa. Simples assim.

Na Turquia a pechincha é obrigatória como também em Israel, seja para o comerciante ou para o cliente, pois o primeiro preço é sempre fictício. O Turco ou o Judeu pechincha para mais e o cliente para menos, porque esse embate valoriza o produto/serviço e favorece a conversa e a interação social. Então, aprenda com os mestres do comércio a sempre obter vantagem.

Última chance! Antes de pagar pelo que deseja comprar, seja sincero com você mesmo e se pergunte: eu realmente preciso o que estou comprando?

Observe que essas ações comportamentais estão ligadas apenas a sua psicologia, não exigem nada mais de você, só atenção e comprometimento em não se deixar enganar pelas “ofertas tentadoras”. Repito, não se deixe iludir!

4 – Tente investir pelo menos 10% do que ganha ao mês.


Você cortou despesas supérfluas, controlou o uso do cartão de crédito e do cheque especial, não fez empréstimos, financiamentos nem consignados. Deixou de pagar juros aos outros. Parabéns! Algum tempo depois – a depender do montante de suas dívidas – você, finalmente, saiu do vermelho, e começou a sobrar algum dinheiro. Oba! Vamos coloca-los na Poupança? Claro que não! Por quê? Porque existem investimentos mais rentáveis a se fazer.

Você coloca algum dinheiro na poupança a um juro mensal de 0,50%, enquanto o banco utiliza o mesmo dinheiro emprestando para outra pessoa a um juro de 9,00% ao mês – é a média. Quem você acha que está obtendo lucros? O rendimento de 0,50% ao mês ainda não é real, tem que se descontar o valor da inflação (que faz seu dinheiro perder o poder de compra). Assim, a taxa real de juros mensais é bem menor – você ganha menos. Além disso, a poupança não é um “investimento” totalmente seguro, sempre existe a possibilidade de o governo confiscar a poupança. Isso já aconteceu.

De início sempre recomendo utilizar dois tipos de investimentos. Ou você empresta dinheiro ao governo através do Tesouro Direto, utilizando os títulos Tesouro Selic ou Tesouro IPCA+, ou empresta dinheiro aos Bancos com os Certificados de Depósitos Bancários – CDBs, desde que esses CDBs tenham rendimento superior a 100% do CDI.

Os investimentos citados vêm com o FGC – Fundo Garantidor de Crédito até o valor de R$ 250.000,00 por aplicação. Se o banco quebrar/falir, você tem a garantia de receber seu dinheiro + juros. Além disso, você paga uma taxa de custodia de 0,30% a.a. sobre o valor aplicado e Imposto de Renda regressivo conforme o tempo de aplicação:
a) 22,5%, em aplicações com prazo de até 180 dias;
b) 20%, em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias;
c) 17,5%, em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias;
d) 15%, em aplicações com prazo acima de 720 dias.
 
Nossa! Ainda tem tudo isso? Você deve estar se perguntando. Sim, mas lembre-se, com tudo isso o balanço é positivo. Descontados a taxa de custódia e o imposto de renda, você irá lucrar muito mais que a poupança.

Existem mais opções de investimento de renda fixa além dos citados e também os investimentos de renda variável (mercado de ações). Assim, recomendo que estude sobre investimentos, há muito material disponível na internet.

Para começar, recomendo que leia o livro “Pai Rico, Pai Pobre” de Robert T. Kiyosaki. É uma aula sobre a vida e educação financeira. Ele fará você mudar o que pensa sobre dinheiro e muito mais.

Depois, visite o site do Tesouro Direto têm vídeos, material para ler e aprender, tem até um curso online gratuito.

Caso deseje fazer uma mudança profunda de comportamento recomendo o livro Anatomia do Sucesso: A Escolha é Sua! de minha autoria. Um livro sobre “Escolhas e Sucesso”

A medida que for se inteirando do tema educação financeira, seu cérebro e seu instinto o conduzirão a novos materiais de aprendizado.

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