Descaso do Hemocentro-DF deixa Hemofílicos e Familiares Aterrorizados



sos hemofilia

Bom dia a todos os leitores do blog, hoje trago até vocês o desabafo do hemofílico, Sr. Rodolfo Neto, que faz tratamento com a Hematologista Dra. Jussara de Almeida. Boa parte dos pacientes, que chegam ao Hemocentro-DF com a prescrição da Dra. Jussara, acabam 

levando para casa só a metade do pedido, o que se chama subdose. Há outras irregularidades: paciente que são atendidos pelos médicos do Hemocentro-DF recebem os medicamentos (fatores de coagulação) em suas casas. Os pacientes atendidos, por outros hematologistas, fora do Hemocentro, tem que ir buscar seu medicamento, com o risco de levar só a metade da prescrição e fazer duas ou mais viagens ao Hemocentro.

Em tempo, para aqueles que não conhecem: a hemofilia é uma doença crônica e uma deficiência orgânica congênita no processo da coagulação do sangue. De transmissão genética, ligada ao cromossoma X, aparece quase exclusivamente nos indivíduos do sexo masculino e caracteriza-se pela ausência ou acentuada carência de um dos fatores de coagulação. Por este motivo, a coagulação é mais demorada ou inexistente, provocando hemorragias frequentes, especialmente a nível articular e muscular.

Transcrevo agora, o relato:

“RELATO DE UM HEMOFÍLICO

Brasília, 18 de agosto de 2017.

Sou Rodolfo Aguiar Neto, portador de hemofilia A severa, tenho 38 anos e fui diagnosticado nos primeiros dias de vida. Faço acompanhamento com a hematologista Jussara de Oliveira Santa Cruz Almeida (CRM: 4076) desde os 9 anos de idade. Em decorrência dos múltiplos sangramentos intra-articulares, desenvolvi as denominadas artropatias hemofílicas, principalmente nos membros inferiores (ambos os joelhos, ambos os tornozelos e quadril direito). Devido ao grande grau de comprometimento das articulações, principalmente do quadril, decidi, juntamente com a Dra. Jussara e o meu ortopedista, Dr. Marcelo Ferrer, me submeter a uma artroplastia total de quadril. Essa cirurgia consiste na substituição do quadril natural por outro quadril protético. Este procedimento é destinado a restaurar o movimento e aliviar a dor, melhorando a qualidade de vida.

Após essa tomada de decisão, de posse da prescrição de concentrado de Fator VIII Recombinante e relatório médico, ambos fornecidos pela Dra. Jussara, me dirigi ao Hemocentro de Brasília no dia 23/05/2017 para solicitar o quantitativo necessário para a realização do procedimento e para o meu total reestabelecimento. O quantitativo solicitado foi de 200.000UI. Nesse momento eu já havia definido a data da cirurgia que ocorreria no dia 16/08/2017 no Hospital Santa Lúcia, ou seja, solicitei as doses do Fator VIII com quase 3 meses de antecedência, pois eu já tinha conhecimento da burocracia envolvida. No dia 17/07/2017, recebi uma resposta negativa do Hemocentro, alegando que a quantidade solicitada estava em desacordo com o Manual de Hemofilia do Ministério da Saúde. Essa resposta veio assinada pela hematologista pediátrica Melina Swain Brawerman CRM 15076.

Diante dessa negativa às vésperas da cirurgia, decidimos recorrer ao judiciário através da Núcleo da Saúde da Defensoria Pública do Distrito Federal, representado pelo defensor público Dr. Celestino Chupel. Compareci à defensoria munido do relatório médico, prescrição médica e a resposta negativa do Hemocentro de Brasília. No dia 25/07/2017, a defensoria enviou um ofício ao diretor do Hemocentro, solicitando uma justificativa para o não fornecimento da medicação. Nesse ofício, foi estabelecido um prazo de 48h para uma resposta do Hemocentro, no entanto essa resposta não ocorreu. Diante dessa ausência de resposta ingressamos então com uma ação judicial, solicitando o remédio.

No dia 03/08/2017 foi concedida a antecipação de tutela, ou seja, o Juiz determinou que a Secretaria de Saúde do DF disponibilizasse todo o quantitativo solicitado na prescrição da Dra. Jussara Almeida, dentro de um prazo de 15 dias. De posse dessa decisão judicial, retornei ao hemocentro no dia 09/08/2017 (data em que tive acesso a decisão). Cheguei por volta das 14:00h, esperei até as 17:50h, até que a funcionária Juliana se dirigiu a minha pessoa e disse que o diretor do Hemocentro, juntamente com o seu departamento jurídico decidiram não fornecer o medicamento e que usariam o prazo de 15 dias estabelecido pelo judiciário para recorrer da decisão. Fiquei sem chão nesse momento, pois estava há 1 semana da cirurgia e não tinha o medicamento necessário. 

Para piorar ainda mais a minha situação, no dia 10/08 (sexta-feira) seria recesso do judiciário, ou seja, a defensoria só teria como peticionar novamente ao juiz na segunda-feira dia 14/08, 02 dias antes da cirurgia. Graças a competência e empenho do Dr. Celestino Chupel, conseguimos em tempo recorde solicitar ao Juiz que determinasse o fornecimento imediato do medicamento, pois já estávamos com a cirurgia marcada e que não poderia ser adiada. Também em tempo recorde o Juiz, Dr. ENILTON ALVES FERNANDES, determinou que o hemocentro disponibilizasse o medicamento até as 10:00h do dia 16/08, já que a cirurgia estava marcada para as 11:00h do mesmo dia. Novamente de posse da decisão, me dirigi ao hemocentro no dia 16, cheguei as 07:50h, fui atendido pelo Alex. Novamente esperei e finalmente as 09:48h o medicamento foi fornecido integralmente, ou seja, 12 minutos antes do término do prazo.

Então, rapidamente me dirigi para o hospital, e o procedimento foi realizado com sucesso pela equipe do Dr. Marcelo Ferrer acompanhado pela Dra. Jussara Almeida.

CONCLUSÃO PESSOAL

Essa situação toda gerou em mim um estresse desnecessário nas vésperas de um procedimento cirúrgico que por si só já seria bastante estressante para um hemofílico devido aos riscos envolvidos.

A postura da Dra. Melina, ao ignorar a prescrição da Dra. Jussara é inaceitável, imprudente, negligente e no mínimo antiética (destaco abaixo trecho do código de ética médica - CFM). Destaco também que jamais fui examinado pela Dra. Melina, ela deliberadamente, sem me avaliar, simplesmente se recusou a fornecer o quantitativo prescrito pela médica que me acompanha há mais de 30 anos. A Dra. Melina em tempo algum foi minha médica assistente.

Tenho total confiança nos procedimentos adotados pela Dra. Jussara Almeida, que além de mim, sempre tratou de todos os meus familiares hemofílicos com extrema competência e dedicação que jamais vi em nenhum outro profissional do serviço público de saúde. Sempre se disponibilizou para atendimentos sem restrição alguma, mesmo fora de seu horário de trabalho. Não tenho o menor interesse em ser assistido por outro médico.

A conduta do diretor do Hemocentro, representado pela pessoa do Dr. Jorge Vaz Pinto Neto demonstra total descaso com os pacientes hemofílicos, em especial os pacientes da Dra. Jussara. Esse meu relato não é um caso isolado, podemos citar inúmeros hemofílicos que tiveram suas prescrições médicas alteradas pela Dra. Melina.

CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA

Capitulo I Princípios Fundamentais
XVI - Nenhuma disposição estatutária ou regimental de hospital ou de instituição, pública ou privada, limitará a escolha, pelo médico, dos meios cientificamente reconhecidos a serem praticados para o estabelecimento do diagnóstico e da execução do tratamento, salvo quando em benefício do paciente.
XXI - No processo de tomada de decisões profissionais, de acordo com seus ditames de consciência e as previsões legais, o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas.

AGRADECIMENTOS:

Dra. Jussara Almeida (minha médica há mais de 30 anos).
Dr. Marcelo Ferrer e equipe (Ortopedista).
Dr. Thiago (Anestesista).
Dr. Celestino Chupel e equipe (Defensoria pública).
Dr. Enilton Alves Fernandes (Juiz de direito).
Haroldo Dias Teixeira Porto (Servidor do TJDFT que agilizou os despachos para conclusão do Dr. Enilton).
Viviane Magalhães de Oliveira (Minha esposa e enfermeira particular).
Nádia Maria Roriz (Minha mãe) .

Esse é o relato do Sr. Rodolfo Neto, mas que revela um problema gravíssimo enfrentado por todos os hemofílicos e seus familiares.

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3 comentários:

  1. Infelizmente esse caso não é isolado, tive que realizar uma artroscopia no joelho esquerdo mês passado, a Dra Jussara minha médica hematologista que me acompanha desde os 5 anos de idade prescreveu corretamente o quantitativo de 90000 para realizar o procedimento com segurança, me dirigi ao Hemocentro para retirar o medicamento é simplesmente a prescrição da Dra Jussara foi ignorada pela Dra Melina, me dirigi a Defensoria pública e lá fui prontamente atendido pelo Dr Celestino onde o mesmo elaborou um ofício solicitando a entrega do fator VIII em 48h e infelizmente não foi comprido pelo Hemocentro, resultado fiz o procedimento cirúrgico só com o fator da minha prescrição da profilaxia 70000 ou seja tive que correr esse risco, pq não havia possibilidade de remarcar a cirurgia que já estava agendada no hospital Santa Luzia

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  2. Boa tarde Rodolfo,
    Esperamos a mudança por parte das autoridades em relação a saúde do povo.
    Que Deus abençoe a essa equipe que trabalha em prol do outro.
    Tem algum telefone que possa tirar dúvidas com vc?

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  3. Conhecer as formas de tratamento é muito importante para lutarmos por melhor atendimento. Acima disso está a ligação que a médica-assistente tem com seu paciente , em especial nas deficiências como a nossa. A relação medico-paciente está ampara pelo código de ética médica. Vamos lutar por isto.

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