Brasil vai produzir fator VIII Recombinante para Portadores de Hemofilia “A”


fator VIII recombinante

Uma boa notícia para os brasileiros portadores de hemofilia “A”, que significa um salto evolutivo na autossuficiência da produção de certos medicamentos. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou em 31/10/2012, em Brasília, vários acordos para a produção de 

medicamentos e vacinas. Entre eles figura a fabricação do fator VIII recombinante (rFVIII), um medicamento de última geração, essencial no tratamento da hemofilia “A”.

O acordo de parceria para os próximos dez anos entre a farmacêutica Baxter e a Hemobrás proporcionará aos mais de 10 mil brasileiros portadores de hemofilia tipo “A” acesso ao FVIII recombinante para o tratamento da doença.

O fator VIII é uma glicoproteína existente no plasma humano – a parte líquida do sangue. Sua ausência ou diminuição acentuada causa sangramentos internos espontâneos – o que caracteriza a hemofilia – doença genético-hereditária. Leia o artigo O que é Hemofilia? Para suprir essa deficiência é administrado nos pacientes, por infusão endovenosa, concentrados de FVIII purificado extraídos do plasma de vários doadores de sangue.

O método acima descrito sempre ofereceu algum risco de contaminação aos pacientes que utilizam o FVIII, como o vírus da AIDS, Hepatites B e C, Sífilis entre outros. Atualmente o protocolo de segurança adotado desde a coleta de sangue até a produção e purificação final do FVIII tem o objetivo de minimizar ao máximo esse risco. Entretanto, ressalta-se que o risco NÃO é zero.

Outro problema é que para atender à crescente demanda de FVIII é necessária uma grande quantidade de plasma proveniente de doadores sanguíneos normais e, o Brasil só consegue atender pouco mais de 20% dessa demanda, importando 80% do produto por falta de matéria-prima – o plasma.

Buscando a autossuficiência brasileira quanto à importação desse medicamento, entra em cena o fator VIII recombinante (rFVIII) cuja produção pode ser multiplicada através da engenharia genética e distribuído pelo SUS.

O fator VIII recombinante (rFVIII) é produzido utilizando-se células de mamífero mantidas em cultura, nas quais é introduzido o gene responsável pela produção de fator VIII. Essas células modificadas secretam o FVIII para o meio, que é então coletado para obtenção do (rFVIII) purificado e pronto para o uso nos pacientes.

Desse modo, o (rFVIII) tem duas vantagens imediatas: acabar com o problema de escassez de matéria-prima (o plasma) e resolve o problema de segurança, porque o risco de se contrair alguma doença é praticamente inexistente.

Toda a tecnologia para a produção do (rFVIII) não é brasileira, mas estrangeira. Assim, não podemos falar em autossuficiência plena.

É interessante observar que antes da assinatura desses acordos, o Brasil saltava rumo à autossuficiência plena, porque pesquisadores do Centro de Terapia Celular do Hemocentro de Ribeirão Preto da USP desenvolveram uma técnica capaz de produzir o fator VIII recombinante (rhFVIII), produzido por meio de engenharia genética a partir de células humanas, cuja patente já se encontrava registrada. A questão em suspenso é: por que investir em tecnologia estrangeira quando temos tecnologia própria? Deixo essa indagação aos leitores do blog.

Sobretudo, independentemente de o fator VIII recombinante ser produzido por tecnologia estrangeira ou nacional, o que isso significa para os portadores de hemofilia “A”, seus familiares, médicos, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e todos os profissionais envolvidos no processo? Isso significa qualidade de vida.

A disponibilidade do fator VIII recombinante atenderá de modo pleno a necessidade dos portadores dessa coagulopatia hereditária, seja na profilaxia primária em pacientes até cinco anos de idade, ou profilaxia secundária de longa duração, tratamento de imunotolerância e a tão sonhada distribuição de doses domiciliares na quantidade suficiente.

Os portadores de hemofilia aprendem muito cedo a detectar os primeiros sinais, como formigamento e rigidez de uma hemartrose (sangramento nas articulações) a principal causa de sequelas ao longo da vida e outros sangramentos musculares. Quando o fator VIII e aplicado (infusão endovenosa) na fase inicial de uma hemartrose no joelho, por exemplo, interrompe-se o processo do inchaço e da dor lancinante e o consequente tempo acamado que provoca perdas de alguns dias de escola ou de trabalho. Leia o e-book Hemofilia Vida Ativa de Luís Gustavo Normanton Beltrame.

Por isso, todo hemofílico sonha em ter em casa, guardado na sua geladeira, algum estoque de doses domiciliares de emergência para tratar esses episódios em sua fase inicial para só depois procurar o seu médico. Isso nem sempre foi possível. A insuficiente produção e distribuição são os grandes vilões dessa história.

Quando todos os portadores dessa enfermidade tiverem suas doses de emergência acondicionadas na geladeira e, espera-se que o Fator VIII recombinante atenda essa necessidade, então, podemos dizer que o Brasil colocou definitivamente, nesse aspecto em particular, os pés no século XXI.

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